A Folha de São Paulo de hoje estampa a seguinte matéria: "Uber" aéreo oferece voo São Paulo – NY por até R$ 1,8 milhão. O jornalista Filipe Oliveira conta que esse mercado já está sendo ocupado por algumas empresas, dentre elas a Jet Smarter e FlyVictor. Segundo a matéria, 30 brasileiros já pagaram a anuidade de US$ 9 mil e, no país, foram 10 mil downloads do aplicativo.

E agora? O que acontecerá?

Devemos esperar por piquetes dos táxis aéreos homologados nos Aeroportos? Pilotos cercando outros Pilotos? A ANAC vai instituir multas para quem for pego voando num "Uber" aéreo?

A velocidade da tecnologia, por definição (ainda bem) anda muito mais rápido do que a burocracia. Dependesse dos órgãos de Estado, não só no Brasil, datilografia seria matéria obrigatória nas Escolas e o Fax ainda não teria sido substituído pela Internet (apesar disso ainda não ter ocorrido no DECEA, que insiste em não aceitar planos de voo pela Internet). A propósito, senhores do DECEA, o Skyvector (www.skyvector.com) já lançou uma versão nova! Com ele pode-se planejar voos com uma precisão impressionante, cruzar informações meteorológicas com facilidade tremenda e, em países desenvolvidos, num clique enviar um Plano de Voo para os órgãos de controle do espaço aéreo! Não percam tempo desenvolvendo nada, só descubram como receber os planos do Skyvector para o seu sistema e o assunto está resolvido.

Voltando ao tema dos "Uber" aéreos, outro setor que precisa se repensar é o dos táxis aéreos. A rigor, houvesse gente antenada no segmento, grandes táxis aéreos brasileiros deveriam ter sido os parceiros locais dessas novas ferramentas. Não duvidamos que foram procurados e não entraram, apostando na ideia de evitar a concorrência. Pois, é... Os aplicativos entraram e, esperamos, deem certo. Os táxis aéreos brasileiros vão acabar ficando para trás.

Lógico que haverá questões a serem discutidas daqui para frente, como o impacto disso na segurança das operações e a garantia da qualidade do serviço que é prestado. O mercado, em grande medida, autorregula parte desse assunto, mas seria desejável que a ANAC participasse, não jogando pedras nem tratando do tema como tabu. É tempo do Brasil deixar para trás o espírito de Jeca Tatu e compreender que a velocidade das coisas no Vale do Silício é essa mesmo.

Enquanto nada disso acontece, continuamos desestimulados a modernizar os painéis de milhares de aeronaves mais antigas, ADS-B continua inutilizado por aqui e pilotos voam sem informações meteorológicas atualizadas... Isso tudo porque algum burocrata ainda está tentando compreender como essas coisas funcionam e como encaixar o mundo à realidade dos nossos Regulamentos, que de tão complexos, nem a Agência os entende (fato!).

P.S.: Aos que gostam da reflexão sobre o exercicio frequentemente abusivo do Estado sobre a vida do cidadão, recomendamos essa leitura: http://www.institutoliberal.org.br/blog/uber/

%d blogueiros gostam disto:
Pular para a barra de ferramentas