Os recentes desdobramentos das investigações iniciais da tragédia que vitimou 150 pessoas no sul da França de uma aeronave da Germanwings que colidiu violentamente contra os alpes começa a revelar facetas que são o avesso da aviação que todos nós amamos.

Para nós, aviadores, é inconcebível admitir a possibilidade de um companheiro, deliberadamente, programar e executar, por longos 8 minutos, a descida de uma aeronave contra o terreno. A visão da terra se aproximando de uma forma que fatalmente acabará em acidente é a mais terrível possibilidade para qualquer aviador, não importa sua experiência, sua competência ou sua especialidade.

Voamos porque amamos os céus. Nada mais nos importa. Lá, nossas competências são testadas, nossos medos são controlados, nossos pensamentos são organizados, nossa vida passa com todo sentido.

Uma frase atribuída a Leonardo da Vinci sintetiza com precisão e beleza o sentimento que pauta a alma de qualquer aviador:

"Uma vez que você tenha experimentado voar, andarás pela terra com teus olhos voltados para o céu, pois lá você esteve e para lá sempre desejará voltar".

Aviadores vivem para voar, mesmo no chão estão sempre com seus olhos voltados para o céu, em busca de nuvens, do som de qualquer aeronave, da mudança do vento, da formação das nuvens, as idas e vindas da natureza.

Por isso tudo, pensar que um jovem aviador pode ter sido o protagonista dessa tragédia, da maneira como as informações têm sido divulgadas pela mídia, essa lamentável ocorrência é mais do que catastrófica. É a nossa anti-natureza.

Nós, pilotos, voamos todos os dias para celebrar a vida e a capacidade maravilhosa da inventividade humana. Nenhum de nós jamais compreenderá algo tão antinatural.

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