Lakeland_JelBLueUm Airbus A320 da JetBlue pousa na pista 05 do Aeroporto Lakeland Linder Regional, em Lakeland, na Florida - EUA, com 120 crianças a bordo. Trata-se de uma viagem de estudo. Ou mais do que isso, uma viagem para o futuro da aviação de um país que já compreendeu, pelo menos desde o final da II Guerra Mundial que não há desenvolvimento sem transporte eficiente. E não há sistema de transporte digno que não conte com uma Aviação forte e dinâmica.

120 alunos do Estado de Nova Iorque que indicaram ter interesse no estudo da Aviação e que nunca tiveram a oportunidade de voar num avião foram selecionados para a viagem de um dia a Lakeland, para visitar a maravilhosa Feira de Sun´n Fun. O objetivo, como é óbvio, foi estimular em crianças que disseram se interessar por aviação a vontade de seguir em frente e perseguir seus sonhos.

O que se pode esperar disso? No mínimo o surgimento de mais alguns engenheiros aeronáuticos, pilotos, astronautas, controladores de tráfego aéreo e toda a gama de profissionais que alimentam essa incrível industria.

Enquanto isso, o que vivemos no Brasil?

O Brasil vive hoje com os reflexos amargos da falta de política para o setor da Aviação com a centralização decisória ineficaz. Em outras palavras, os Órgãos Gestores da Aviação brasileira funcionam de forma desconexa, cada um buscando cumprir seus planos isoladamente.

O poder dado a SAC - Secretaria de Aviação Civil é um emblema dessa situação: sem política, os Órgãos existentes precisavam ser coordenados. Dá-se então a SAC o status de Ministério e se busca com isso a indispensável sincronia entre os Órgãos Gestores. A infraestrutura aeroportuária, em frangalhos, consome todas as atenções do governo. Alguns hubs são concessionados. É lógico que haverá melhorias em todos eles em relação ao que eram no passado. Mas também é lógico que se não houver ações de melhoria em todo o resto da malha aeroportuária os gargalos dos hubs se espalharão pelo Brasil: mais aviões sendo devolvidos aos céus mais rapidamente pousarão mais frequentemente em outros lugares. Mas que lugares são esses, se o sistema não é pensado em conjunto, de forma articulada? Planos mirabolantes que começaram com a criação de 800 novos aeroportos "regionais" se transformaram em 200 e tantas intenções, coordenadas (sic) pelo Banco do Brasil, como se sabe, um especialista em aeroportos...

O DECEA reinventa o espaço aéreo brasileiro, concluindo planos iniciados há décadas. Entre tropeços e acertos o espaço aéreo é reorganizado. Porém ele é pensado sem que se leve em consideração que todas as aeronaves precisam estar equipadas, os pilotos treinados e os aeroportos preparados para recebe-los. Ao invés da tecnologia criar resultados positivos, cria prejuízos. Na nova circulação, a agilidade das novas tecnologias que viabilizaria rotas mais eficientes, acaba em órbitas sobre fixos GPS, vôos que não alcançam altitudes ou velocidades de cruzeiro e desordem na operação da aviação geral, de grande e pequeno porte.

A ANAC regula e fiscaliza um sistema que não é o que se voa no dia-a-dia. Regulamentos são feitos à espelho de recomendações internacionais sem a devida articulação com os outros Órgãos Gestores e principalmente com os Regulados, sejam empresas aéreas, de serviços especializados, táxis aéreos, operadores aeroportuários, aeronautas, proprietários de aeronaves, controladores de voo, Receita Federal, Polícia Federal, Vigilância Sanitária.

Isso alimenta um ciclo terrível, com um sistema cada vez pior que consome cada vez mais recursos para nada devolver aos usuários.

Enquanto isso, 120 meninas e meninos de Nova Iorque são levados por uma Companhia Aérea a Lakeland para numa feira que representa o berço da Aviação com o objetivo de inspirar mais entusiastas que certamente, no futuro, estarão fazendo a aviação norte americana voar mais e melhor.

E o pior é que hoje não seria possível nem propor aos Órgãos Gestores que uma empresa aérea levasse a Lakeland 120 dos seus mais importantes decisores, para trocarem experiência com  quem faz uma aviação pelo menos 10 vezes maior do que a brasileira voar de forma infinitamente mais eficiente, barata e segura. Possivelmente os que aceitassem ir seriam denunciados à Procuradoria dos seus respectivos Órgãos e ainda acabariam em bancos de réus, como se todos fossem parte da corrupção que virou pandemia no Brasil.

Maus tempos esses que vivemos no nosso país!

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