Estamos reproduzindo abaixo, na íntegra, o post do Blog Para Ser Piloto:

O CENIPA publicou uma nota em seu portal na última sexta-feira (08/01) informando que o número de acidentes aeronáuticos decresce há 4 anos. Pode ser uma boa notícia para a aviação brasileira? Sim, claro! Mas... Será que ela é, de fato, tão auspiciosa como parece? Infelizmente não dá para saber, por dois motivos:

1. O CENIPA não informa qual foi o decréscimo das operações aeronáuticas ocorridas em 2015. Sabemos que o país encolheu sua economia em mais de 3,5%, e que a aviação (em especial a aviação geral) sofreu muito mais do que isso, principalmente devido ao impacto do câmbio (o Real se desvalorizou cerca de 50% ante o Dólar). Quantas horas de voo foram voadas a menor em 2015? Quanto de combustível se consumiu a menos no ano passado? Sem esse tipo de parâmetro, a citada redução no número de acidentes - de 16% sobre 2014 - não significa muita coisa.

2. Na aviação geral de pequeno porte (monomotores a pistão), sabe-se que há uma forte migração de aeronaves certificadas para as chamadas "experimentais", só que o CENIPA não investiga os acidentes desta última e nem contabiliza essas ocorrências nos seus relatórios. Então, este é mais um fator que distorce os números e contribui para não se saber, realmente, se a segurança da aviação brasileira melhorou ou piorou em 2015.

Além disso, a nota constrói uma relação de causa e efeito não comprovada. Se a "queda no número de acidentes tem sido percebida desde 2012, com diminuição de 31% no número de acidentes, e é fruto da missão de promover a prevenção de acidentes aeronáuticos, visando ao progresso da aviação brasileira", seria interessante mostrar como se deu a evolução das "ações de prevenção realizadas continuamente pelo CENIPA com a participação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), indústria aeroespacial, entidades do Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), empresas e operadores aeronáuticos". O que se fez de diferente neste período que justifique tal redução? Quantos recursos adicionais foram investidos? Quantas pessoas a mais foram treinadas ano a ano? Em que cursos? Que novos programas foram implementados? Enfim, o que exatamente foi feito para obter tal redução?

Não se trata de má vontade com o CENIPA. Pode ser que tenha ocorrido, sim, uma redução efetiva (levando-se em conta a atividade operacional) nos acidentes aeronáuticos, e pode ser que isso tenha acontecido por causa de melhorias na gestão de quem atua na segurança aeronáutica, inclusive do próprio CENIPA. Pode ser, inclusive, que o progresso em 2015 tenha sido superior aos 16% citados na nota! O problema é que, do jeito que as informações foram divulgadas, não se pode concluir nada com absoluta certeza.

Fonte: PSP.

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