As manifestações de ontem, 15/03/2015, que se espalharam pelo Brasil, certamente entrarão para a história como atos marcantes promovidos clara e pacificamente pela população contra o governo e tudo que a incompetência, a corrupção e a ineficiência produz de pior e mais nefasto contra uma nação.

A APPA entende que essas manifestações, de algum modo, podem re-sintonizar o brasileiro com a sua pátria. Os resultados dessas manifestações são imprevisíveis. Claramente, uma parcela muito significativa da população, de maneira organizada, independente e apartidária foi às ruas e disse claramente que não está nem um pouco satisfeita com os rumos do Brasil.

E nós, aviadores, o que temos feito? Como podemos aproveitar essa mesma energia popular para demonstrar às autoridades da aviação brasileira que não é mais possível admitir o convívio duradouro com a péssima prestação de serviços, a falta de infraestrutura, custos elevados e taxas exorbitantes? Quanto tempo mais os aviadores, de maneira organizada, demorarão para ter capacidade de explicar para a população os riscos a que estamos todos sujeitos em função dos desmandos, da ingerência e da falta de competência que assola todos os órgãos gestores da aviação nacional?

Não, não nos opomos, pessoalmente, contra nenhuma autoridade constituída. Pelo contrário: a APPA interage quase diariamente com vários quadros da ANAC, do DECEA, da Infraero e da SAC e sabe que em cada órgão desse ainda há uma maioria de pessoas trabalhadoras, preocupadas com a digna prestação de serviços ao cidadão. No entanto, justamente por esse convívio muito próximo, sabemos que individualmente servidor algum, a essa altura, é capaz de superar a incompetência e a paralisia generalizada que contamina politicamente os Órgãos da aviação.

Já não há mais espaço para o convívio com tanta estupidez, falta de soluções concretas para os problemas enfrentados diariamente pelos aviadores brasileiros. A insatisfação generalizada precisa ser canalizada em formas organizadas de ação, que demonstrem o nível de indignação da comunidade aeronáutica com a desequilibrada equação que hoje pauta a relação entre aviadores e órgãos gestores de aviação: custos absurdos, regras inalcançáveis e péssima prestação de serviços por parte de quem é pago, pelo contribuinte, para prestar serviços.

Os aviadores estão diretamente expostos aos riscos inerentes a um contexto de gestão acéfala da aviação. Enquanto não se organiza adequadamente o espaço aéreo e nos aeroportos, especialmente para a Aviação Geral, enquanto os alunos são formados com currículos atrasados e desconectados das novas tecnologias embarcadas nas aeronaves, enquanto nada é feito de concreto para que a aviação brasileira pelo menos volte a voar na mesma velocidade que outros países, mesmo latino americanos, toda a aviação e seus usuários estão sob ameaça.

É hora do nosso segmento realmente se reunir em torno de ações concretas, exigindo a contraprestação em serviços decentes, pelas taxas e regulamentos exigidos. O Brasil parece estar acordando de um longo sono. Continuaremos, nós, aviadores, dormindo e assistindo ao desencontro generalizado das políticas (ou da falta delas) em praticamente todos os setores da nossa atividade?

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