No dia 10 de Setembro último, durante reunião do Conselho Consultivo da ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, a APPA, através do seu Vice-Presidente, Humberto Gimenes Branco, manifestou a grande preocupação da Associação com as ameaças que afetam o ensino aeronáutico do Brasil, chamando a atenção para a gravidade da situação.

Tendo sido apoiada por todos os participantes da reunião, especialmente pela CAB – Comissão de Aerodesporto Brasileira e pelo SNA – Sindicato Nacional dos Aeronautas, a apresentação buscou destacar com clareza as ameaças que tem colocado em claro risco a formação aeronáutica no Brasil.

Fatos demonstraram que a total falta de política de ensino aeronáutico país põe em risco o setor como um todo e tem causado enormes prejuízos à comunidade da Aviação, que não suporta mais a negligência que pauta o ensino de aeronautas no Brasil. “Um país que não sabe o que quer para sua Aviação faz exatamente o que o Brasil tem feito. Hoje quem pensaria em buscar licenças pensa duas vezes. Quem já as tem, não tem segurança nenhuma de que conseguirá mantê-las sem dores de cabeça, seja pelo não funcionamento da ANAC, falta de checadores credenciados, descaso com que os Aeroclubes e Escolas são tratados ou falta de espaço aéreo para treinamento. Erra-se em todos os lados”, analisou Humberto.

As principais fontes de ameaça destacadas foram:

  1. Expulsão ou Impedimento de Acesso de Aeroclubes e Escolas de Aviação de Aeroportos, em todo o Brasil;
  2. Total falta de política para a modernização da frota de aeronaves para instrução e uso de simuladores;
  3. Descompasso entre a tecnologia que existe e a instrução que é dada: no Brasil ainda se ensina aviação da década de 1940;
  4. Descaso das autoridades com a garantia de espaço aéreo para treinamento;
  5. Falência do modelo tradicional de Ensino no Brasil. Finge-se regular para todos e se pune os que buscam fazer bem feito;
  6. Regulação para o Atraso: de onde deveriam nascer regras de impulso à aviação só nascem problemas que não param de se acumular.

“É impossível numa reunião de Conselho querer trazer tantos exemplos para cada fonte de ameaça dessa. Mas quem conhece o setor sabe que a situação é caótica e assustadora. O usuário hoje não tem a menor idéia do trajeto que precisa percorrer para obter ou manter uma licença/habilitação, quanto tempo isso vai levar, quanto vai custar, onde deve buscar conhecimento. A receita para o fracasso do setor de ensino aeronáutico é o que está aí implantado. Centenas de pessoas a espera de checadores, dezenas de Aeroclubes e Escolas sem conseguir interagir com a ANAC, instrutores que deveriam estar focados no ensino, perdendo tempo em Salas AIS porque o DECEA não conseguiu até hoje criar um simples mecanismo de planos de voo pela internet, entre tantos outros absurdos que acabam virando motivo de piada internacional”, ressaltou Humberto.

A APPA advertiu as autoridades sobre a gravidade do cenário para o longo prazo mas destacou que a situação já é de caos, agora. Num país onde o ensino aeronáutico é tratado dessa forma, pessoas que perdem a vida em acidentes aeronáuticos são, antes de tudo, vitimas de um sistema falido. Não se pode levar a sério a aviação de um país onde o conhecimento aeronáutico é tratado com tanto descaso, em todos os níveis. "Como se pretende contar com operações seguras num caos como esse?”, concluiu Humberto.

Segue ao lado material utilizado na apresentação: APPA_AeroclubesEscolas_100914

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