desperdicio

 

Falar que o Brasil é conhecido como o país do desperdício é "chover no molhado". Infelizmente a nossa Aviação também tornou-se ambiente pródigo para jogar recursos públicos no lixo.

Exemplos disso podem ser dados aos montes. Começando por um Presidente da República que vem a público dizer que construirá 800 novos aeroportos quando sequer consegue cuidar dos mais de 740 que já existem (foi o que a atual Presidente afirmou em seu Plano de Logística: Aeroportos), os maus exemplos são encontrados aos montes. Pátios de estacionamento vazios por políticas de restrição de uso que a Agência Reguladora desconhece. Reorganização de espaços aéreos que depois de bilhões investidos tiram aeronaves de órbita sobre NDBs e VORs e os colocam em órbita sobre fixos GPS. Sistemas de pouso por instrumento (ILS) instalados mas sem uso, por anos. Toneladas de querosene e gasolina de aviação queimados desnecessariamente por empresas aéreas e operadores privados de aeronaves em voos abaixo das altitudes e velocidades de melhor performance das aeronaves, jogados fora em esperas são só alguns exemplos corriqueiros do dia-a-dia de quem voa no Brasil.

Naturalmente, seguindo a melhor lógica de prestação de serviços "Padrão-Zimbábue" e impostos "Padrão-Dinamarca", toda a falta de serviços e estrutura é patrocinada por taxas, impostos e toda sorte de maneiras que o Estado encontra para financiar sua própria ineficiência.

Agora na Copa do Mundo FIFA 2014, talvez tenhamos alcançado o ápice do desperdício e da gestão da aviação. Com o intuito de escapar ao caos, proíbe-se o voo. Num período em que um pais administrado por profissionais deveria estar aproveitando ao máximo um evento do porte de uma Copa do Mundo, a Aviação brasileira está parou.

As Companhias Aéreas não parecem estar muito satisfeitas com a ocupação das suas aeronaves.

A Aviação Geral, por sua vez, que em qualquer lugar do mundo sempre é fonte de capilaridade e mobilidade em eventos dessa natureza, está parada, dentro de hangares. As políticas de slots aplicadas simplesmente tornaram a operação aérea da Aviação Geral impossível. Combinada com a implantação generalizada de slots, promovida pelo DECEA e CGNA, a ANAC entrou com seu quinhão inventando regras técnica e legalmente questionáveis, que punem o eventual descumprimento de slots com multas e até a suspensão da licença de pilotos. A manifestação veemente de uma dezena de entidades e especialistas, informando que tais medidas ferem regras básicas de segurança operacional foi desprezada pela ANAC.

Enquanto a ANAC comemora a "punição" de uma aeronave estrangeira, ignora que as regras aplicadas simplesmente colocaram no chão a frota de Aviação Geral. Centenas de aeronaves de escolas de Aviação, alunos, instrutores estão praticamente impedidos de voar durante a Copa. Já informados das distorções e da necessidade de correções nas políticas, CGNA e ANAC informaram que estão ajustando a quantidade de slots em aeródromos onde se constata que a dose do remédio é tão alta que pode matar o paciente.

Pilotos gravam comunicações com órgãos de controle de tráfego aéreo que solenemente desprezam as boas práticas de segurança, a lógica e as normas, forçando aeronaves a prosseguir para outros destinos alternativos mesmo quando seus atrasos decorrem da falta de infraestrutura nos aeroportos de onde decolaram.

O ambiente da Aviação está tenso e as Autoridades Aeronáuticas, que deveriam ser fonte de segurança e estabilidade, se tornaram as fontes principais para a desestabilização e a insegurança. Infelizmente, desperdiçar tornou-se política pública no Brasil, também na Aviação. A APPA tem feito seu melhor para informar e interagir com as Autoridades e espera que haja tempo para correção dos erros já cometidos e que tais situações não causem danos maiores.

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