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A APPA-AOPA Brasil já apontou o inaceitável descaso das Autoridades Aeronáuticas brasileiras com o Aeroporto de Maricá, literalmente tomado de assalto pela ignorância da Prefeitura local com a complacência da ANAC, que continua dando aquele Aeródromo como operacional, apesar de todas as evidências públicas em contrário.

Além da questão política, ressaltamos a questão técnica e o desperdício que representa o mau uso do aeródromo numa Terminal que sofre historicamente com um gradual desmantelamento da sua Rede de Aeroportos.

A pista de Saquarema foi construída á época da guerra anti-submarina, para servir, em caso de emergência militar ou comercial, como alternativa no setor E ao aeroporto S. Dumont e à base aérea do Galeão, os 2 únicos aeroportos existentes à época na costa do RJ. No setor W, existia a base aérea de S. Cruz.

Posteriormente, na década de 70, foi construído o aeródromo de Maricá, com a finalidade original de aeródromo-escola mas também, certamente, como alternativa de emergência para aeronaves menores.

Há questão de meses Saquarema foi desativado, e agora Maricá encontra-se virtualmente fechado, apesar de todas as afirmações em contrário da Prefeitura e da ANAC. Afinal de contas, não pode ser considerado como praticável um aeródromo onde, depois do pouso, pilotos e proprietários são abordados por policiais armados só podendo decolar depois de obter autorização para tal na Prefeitura, como já relatado em mídia nacional e comunicado ao Ministério Público?

O fato inegável é que a região do Grande Rio, em questão de meses, se tornou território inóspito para a aviação geral leve. Basta imaginar o caso de uma aeronave que se aproxime do Rio de Janeiro, com destino ao Santos Dumont - SBRJ onde há restrições de pátio. Imaginemos igualmente que a aeronave disponha de 45 minutos de autonomia restante. Se SBRJ fechar por um simples estouro de pneu na pista, a alternativa imediata para o piloto seria Maricá, já que Jacarepaguá sofre de insuportáveis restrições de pátio e o Galeão opera com pesadíssimas taxas aeroportuárias internacionais além de não estar provido com suprimento de gasolina de Aviação.

Agora não mais. Com o fechamento policial de Maricá, todos os aeroportos disponíveis para alternar (Cabo Frio, Juiz de Fora e Resende) se situam agora fora da TMA, a uma distância de mais de 100 km em linha reta, leia-se algo como no mínimo meia hora de voo. Para não mencionar o desconforto de enfrentar 2 h ou mais de estrada.

Este cenário, perfeitamente possível, é um inegável caso típico de deterioração de condições de segurança de voo, que deveria ser prontamente reconhecido e atacado por nossas autoridades aeronáuticas. No entanto, passados mais de 2 meses do "fechamento" de Maricá, nada aconteceu. Ou já aconteceu? Um Sêneca se acidentou nas vizinhanças de Maricá havendo depoimentos de que estava em emergênciae foi impedido de pousar.

Outro cenário, típico e recorrente, ocorre no verão ou em qualquer outra época do ano no setor pré-frontal de uma frente fria, quando CB’s se deslocando de noroeste fecham GL e RJ de forma rápida, sucessiva e simultânea. Um CB de apostila tem cerca de 20 km de diâmetro. Em tal situação, a meteoro sobre o mar ainda está tranquila, e Maricá se constitui em alternativa imediata e segura para a aviação geral, inclusive jatos.

O que estão esperando nossas autoridades aeronáuticas? Será que vai ser preciso que ocorra um acidente para que elas se dêem conta do problema? Há alguma Autoridade Aeronáutica realmente comprometida com alguma resposta para este sensível e relevante tema?



					
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