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Enquanto a aviação comercial praticamente eliminou a ocorrência de acidentes fatais nos últimos anos, os operadores privados (no Brasil regulados pelo RBHA 91, futuro RBAC 91) continuam no mesmo ritmo há anos: 1.500 acidentes por ano, com 475 mortes (nos Estados Unidos). Earl Weener (Piloto e Membro do Conselho do NTSB) disse "...que a situação é pior do que isso. O índice de acidentes em vôos pessoais aumentou 20% nas últimas décadas e claramente as coisas estão indo na direção errada".

No último dia 12 de Março de 2013, o NTSB (National Transportation Safety Board), órgão norte-americano responsável pela prevenção e investigação de acidentes aeronáuticos, tornou pública uma Lista de Recomendações (SA_019, SA_020, SA_021, SA_022 e SA_023) destinada especificamente para os pilotos da Aviação Geral, atacando as causas mais comuns de acidentes. Cada uma ilustrada por uma fria análise de fatos e circunstâncias encontradas em investigações recentes.

Dessa vez, além de tornar público as informações dos acidentes, o NTSB fez com que os seus investigadores, que também são pilotos da Aviação Geral, passassem a falar eles próprios como o seu trabalho e a busca pelas causas de acidentes reais mudaram a forma como voam, ajudando-os a evitar acidentes que eles próprios poderiam estar envolvidos.

Na ultima Sessão de apresentação de Acidentes da Aviação Geral, o NTSB propôs que seus investigadores passassem a contar seus próprios aprendizados, como Eliot Simpson, piloto e investigador de acidentes, que comentou "eu mesmo poderia não estar vivo se eu não tivesse tirado lições valiosas que aprendi cedo na minha carreira depois de ler e aprender com os resultados de um relatório em particular, cujo acidente envolveu desorientação espacial", referindo-se ao acidente que em 1999 tirou a vida de John F. Kennedy Jr, sua esposa e sua filha.

O simples hábito de tomar conhecimento periódico e ler sobre os acidentes, segundo o NTSB, deve se tornar uma prática quase obrigatória entre os pilotos.

Cinco focos foram dados pelo NTSB:

  • Prevenir stall a baixa altura
  • Aumentar de vigilância em situações com referências visuais reduzidas
  • Você está escutando o que a sua aeronave está falando para você?
  • Mecânica: gerencie riscos para garantir segurança
  • Pilotos: gerencie riscos para garantir segurança

O Conselho do NTSB apontou que os alertas em si não possuem efeito regulatório e que não há meio prático para forçar os operadores de Aviação Geral a adotar as mesmas práticas e procedimentos requisitados às Linhas Aéreas, embora essa atitude deva ser incentivada, reforçou Weener, que disse que gostaria muito de ver os treinamentos de "ameaça e erros, usados amplamente na Aviação Regular, adaptados e usados pela Aviação Geral".

A APPA/AOPA Brasil vem trabalhando para disponibilizar, no Brasil e em português, uma parte do conteúdo já produzido pela AOPA EUA (através do ASI - Air Safety Institute): "Esperamos em breve poder anunciar uma grande ação de aliança entre a APPA e a AOPA norte-americana. Trabalhamos na construção desse acordo desde a última Assembleia do IAOPA, que ocorreu há praticamente 1 ano, na África do Sul e o tema Segurança Operacional é nosso objetivo principal", afirma George Sucupira, Presidente da APPA.

Além disso a APPA/AOPA Brasil vem estimulando a criação de iniciativas que visem oferecer treinamento qualificado para os pilotos da Aviação Geral, que vão além dos requisitos de cheques e recheques para licenças e habilitações regulados pela ANAC: "Quem pensa que está proficiente e apto para um voo só porque porta uma licença ou habilitação em dia pode estar redondamente enganado. Segurança se faz com doutrina e doutrina é uma atitude, um comportamento, que vai além de ter ou não ter licença", lembra Sucupira.

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