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NotíciasVendas de AVGAs caem ainda mais em 2019: indicador da destruição.16/08/2019

Em qualquer negócio normal, quando as coisas não vão bem seus donos tomam todas as providências para corrigir rumos, trocar estratégias. 

No setor privado, quando algo vai multo mal, os votos de confiança dados à administração ficam suspensos até que resultados melhores comecem a aparecer. No entanto, quando os sinais são óbvios de que além das coisas não melhorarem, estão piorando, o destino da administração é sempre o mesmo: o olho da rua. Simplesmente porque insistir nas mesmas receitas e esperar resultados diferentes é idiotice, como o senso comum já consagrou.

Se a aviação geral brasileira (a maior frota da América, depois dos Estados Unidos, diga-se de passagem) fosse uma empresa, todos os administradores já estariam procurando emprego em outro lugar. Estamos falando do segmento da aviação que integra um país continental, mais de 2.000 aeródromos. Movimenta mais de 10 mil aeronaves aeronavegáveis, 20 mil pilotos. É responsável por tudo que acontece sobre asas sem envolver o transporte de passageiros operado pelo oligopólio das linhas aéreas brasileiras, que juntas não atendem 150 cidades do Brasil. É a aviação geral quem oferece instrução para toda a mão de obra, presta serviços aeroagrícolas, realiza o transporte privado, táxi-aéreo e uma infinidade de atividades que contribuem decisivamente para uma economia diversificada como a brasileira prosperar.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a venda de gasolina de aviação - o combustível que move mais de 80% da frota brasileira -  caiu mais de 14% em relação ao mesmo período de 2018 (janeiro a junho). Lembrando que em 2018 o volume total vendido havia sido mais de 45% menor do que o pico de vendas, que ocorreu em 2013. Um desastre total.

Dado que a quantidade de aeronaves, aeródromos e aviadores não diminuiu, o que ocorreu? Há inúmeras explicações e todas elas apontam para o mesmo lugar: o nosso segmento sofre com a total incompetência dos seus administradores, a falta de responsabilidade das autoridades e o caos operacional. A AOPA Brasil desafia qualquer dos diretores da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, desde a sua criação, a demonstrar, numa apresentação de 20 minutos no máximo, os três fatores que mais contribuíram para a destruição do segmento. Duvidamos que saibam explicar sem culpar alguém ou terceirizar responsabilidades.

Na conta da incompetência também entra uma falência de empresa aérea a cada 2 anos, um sistema de navegação antiquado e precário, concessões aeroportuárias que geraram até cadeia para seus idealizadores, a falta de políticas de estímulo a um mercado competitivo de combustíveis, a montanha de regulamentos estúpidos que impedem aeronaves de voar, pilotos de treinar, proprietários de modernizar suas aeronaves e que deixam administradores aeroportuários fazerem o que bem entendem com os usuários.

A posse do novo governo já ocorreu há mais de 7 meses. O Ministro Tarcísio Gomes de Freitas se mostrou um administrador exemplar, que está trabalhando incansavelmente para cuidar de ferrovias, estradas e para dar um mínimo de decência a administração da Infraero, trabalhando com uma equipe aberta ao diálogo, na SAC - Secretaria de Aviação Civil. Compreendemos que há prioridades. Mas como temos alertado desde antes da posse do Presidente Bolsonaro, o setor precisa de cuidados emergenciais, que possam ser dados por gente que entenda do assunto. Os burocratas, incompetentes e os apadrinhados políticos nos trouxeram ao caos. Chegou a hora de por em campo gente que recoloque nossa aviação para voar com pragmatismo, antes que o setor se deteriore completamente. O Brasil não pode ter sua aviação geral destruída.




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