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NotíciasNomeações à Diretoria da ANAC: hora de dirigentes que deem o exemplo e conheçam da aviação, em seus variados segmentos.06/10/2019

O Brasil está tendo a chance de iniciar uma nova era do seu setor de transportes e infraestrutura. O papel já desempenhado pelo Ministro Tarcísio Freitas e sua equipe manda todos os sinais certos sobre como e o que deve ser feito. A ANAC precisa entrar nesse mesmo movimento, dando oportunidade para as centenas de técnicos valiosos que possui ao mesmo tempo que torne intolerável a má prestação de serviços públicos aos cidadãos, o apadrinhamento político e a conduta não amparada na melhor técnica regulatória global.

Na semana passada a comunidade da aviação brasileira viu com estranheza a nomeação e suspensão de nomeação de três dirigentes para ocupar postos vagos na sua diretoria. No momento em que se esperava qualidade e segurança na escolha de dirigentes, viu-se a incerteza, o retorno do fantasma da ingerência política da pior espécie, algo que caso se materialize, provocará reações severas do setor.

A AOPA Brasil não tem dúvida sobre o perfil de quem deve ocupar cargos na sua diretoria: os nomeados devem ter consistente formação acadêmica e profissional, com comprovada atuação como dirigentes de instituições e que representem diferentes segmentos do setor aéreo brasileiro. A futura diretoria da ANAC deve ser composta por um time altamente qualificado, que sintonizado com as demandas do setor, faça acontecer as transformações tão necessárias para que voltemos a nos orgulhar da aviação brasileira. Nada diferente do que está expresso na Lei 13.848, que define os padrões de gestão, a organização, o processo decisório e o controle social das agências reguladoras.

A nova diretoria tem que ter a virtude da humildade, saber escutar o mercado, nos seus diferentes setores. A diretoria deve ter a coragem de desfazer os nós que na ANAC, assim como no serviço público brasileiro em geral, inverteram a lógica da relação entre o cidadão e o Estado, tornando a Agência, em alguns aspectos, opressora do cidadão e não desenvolvedora do setor.

Como em qualquer organização, a ANAC precisa ser dirigida por homens e mulheres respeitáveis, que deem o exemplo: sintonizadas com as oportunidades de progresso que surgiram com a mudança de rumos políticos decorrentes das eleições presidenciais de 2018, essas pessoas tem o poder de fazer da ANAC uma alavanca do setor, enxergando a indústria como um todo e não só 2 ou 3 empresas aéreas, 150 aeroportos atendidos por voos regulares e seus passageiros. A aviação comercial é um dos pilares do setor, mas não é o único.

A aviação brasileira é ferramenta de desenvolvimento da economia que não é atendida pela aviação regular, com frota de mais de 11.000 aeronaves prontas para voar e ligar mais de 2.500 campos de pouso de todo o país; é formadora de aviadores, mecânicos, controladores de tráfego aéreo, gestores da aviação civil em geral; está no centro da revolução de mobilidade em curso em todo o mundo, com a disseminação do compartilhamento de veículos aéreos não tripulados em cidades, para pessoas e cargas; é parte do setor aeroespacial local e global, sendo sede de algumas das mais promissoras empresas da indústria aeronáutica do planeta; possui a maior parcela do espaço aéreo no hemisfério sul, com inigualável papel geopolítico; possui a maior frota da aviação geral das Américas depois dos Estados Unidos, sendo uma das maiores e mais ricas do mundo.

Com uma missão desse porte, não se pode esperar da nova diretoria da ANAC nada menos do que as melhores pessoas que estejam dispostas a dedicar alguns anos das suas vidas para o setor, tendo o máximo compromisso com destravar as amarras que hoje atrapalham seu progresso e com a instalação de uma cultura do mérito e da competência técnica voltada para todos os seus públicos e setores que compõem a cadeia da aviação.

Essa é a expectativa da AOPA Brasil com as nomeações de dirigentes da ANAC. Qualquer ameaça ao movimento virtuoso de indicações sintonizadas com o progresso em curso no setor de infraestrutura, que sinalize interesses obscuros, será mais do que denunciada. Uma onda de indignação tomará lugar, pois assim como na sociedade de modo geral, na aviação brasileira também não irá mais se tolerar a incompetência, o descaso e a política de baixo calão influenciando os destinos de um setor estratégico para o país.




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